sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A revolução não é um carnaval




Por Aldo Sauda
Especial para Caros Amigos

Somos de um país sem tradição de grandes revoluções. Temos pouca história de sólidos movimentos de massa, de cenas fortes marcando embates violentos entre forças antagônicas e de mudanças drásticas na direção de nossa sociedade. Pior que isto, as poucas resistências que temos são sistematicamente apagadas de nossos livros de história e retiradas a força da memória de nosso povo. Enfim, como brasileiros, nos é difícil materializar a ideia do que é, no seu sentido mais literal, uma revolução.


Mas ao contrário de todas as outras culturas de todos os outros países de todos os outros lugares do planeta, sabemos, como só nós sabemos, o que é o carnaval. E explicar o carnaval em uma sociedade islâmica, conservadora, e que se localiza do outro lado do mundo, não é tarefa fácil.

Os bloquinhos, as marchinhas, o consumo destrutivo de álcool e outras drogas, a entrega da chave da cidade ao Rei Momo, o cheiro de urina que ao lado do caos anárquico assumem o controle da cidade, e principalmente, a libertinagem sexual, são difíceis de se sintetizar em uma casa de café na região central do Cairo.

Não que os egípcios não sejam simpáticos ao nosso “Allah-lá-ô”, longe disto. Porém, como explicar algo feito para ser vivido, ou melhor, sentido apenas uma vez por ano, em uma rápida conversa? Devo admitir que depois do terceiro café turco e de uma longa rodada de narguilé, desisti da quase impossível tarefa cultural - não que não tenha, no processo, convencido nossos jovens revolucionários árabes a conhecerem os arcos da lapa...

O dia da Correção da Caminhada

Na manhã da sexta-feira do dia 9 de Setembro, batizado pelos egípcios de “dia da correção da caminhada revolucionária” fui acordado pelo equivalente egípcio a um bloquinho de carnaval. O ato principal do dia, que ocorreu na mundialmente famosa Praça Tahrir, estava marcado para a uma da tarde.

Mesmo assim, nossos foliões árabes, cantando e pulando ao som de marchinhas faraônicas que ironizavam a junta militar que governa o país, me acordaram lá pelas 8 da manhã. A cena era, sem tirar nem por, a de um bloquinho de bairro. O bloco, formado por volta de 40 pessoas, desfilava em uma rua inteiramente vazia na qual seus moradores assistiam à turma pular, dançar e se divertir.

O espírito que movia o bloquinho que me acordou parecia dominar o todo da praça. Pela primeira vez desde o inicio de agosto, a Tahrir se encontrava livre dos aparatos repressivos do Estado, motivo por si só de júbilo popular.

A tomada pelo governo do mais importante espaço público do Egito ocorreu no primeiro dia de agosto, quando a chamada segunda ocupação popular da Tahrir começava a se esvaziar. Desde então, a praça esteve cercada tanto pelo Exército quanto pela odiada força policial do ministério do Interior, as Forças Centrais de Segurança (FCS).

A segunda ocupação popular, voltada especificamente contra a junta militar e iniciada no começo julho, foi o último ato de massas estritamente político a ocorrer no centro da cidade.

A desmilitarização da praça era uma das principais demandas dos manifestantes, que haviam anunciado que no dia da “correção da caminhada” iriam retornar ao espaço mesmo que se fosse na marra.

Para evitar maiores desgastes e jogar a responsabilidade da segurança na direção do movimento, o governo, além de anunciar que responderia com “dureza” a qualquer desordem social, retirou toda polícia da região central do Cairo na noite anterior. Além dos soldados do exército e da odiada FCS, nem os guardinhas de trânsito sobraram, fazendo com que a população tivesse que assumir, de forma um pouco descoordenada, o controle do caótico transito da cidade.

Alguns egípcios celebravam a libertação da Tahrir discursando em um palco erguido em frente a praça, outros desfilavam pelas ruas erguendo fotos do ex-ditador egípcio com uma forca em volta de seu pescoço ou segurando cartazes chamando pelo fim da junta militar. Harmonicamente inseridos no cenário, diversos camelôs vendiam camisas, bijuterias, pipoca, milho verde e o famoso café turco para a população que lá se encontrava. Se não um carnaval, a praça lembrava uma grande festa popular.

Nas redondezas do Centro de Estudos Socialistas, entidade ligada ao principal grupo da esquerda radical do país, a militância já preparavam sua caminhada a praça Tahrir. Entre os pontos de parada estavam a embaixada israelense e a da arabia saudita, ambas tidas como os principais inimigos da esquerda na região. Para proteger seu aliado sionista, o governo egípcio novamente construiu um muro em volta da embaixada.

O muro anterior, algumas semanas antes, havia sido derrubado por militantes contrários ao processo de 'normalização' das relações diplomáticas do país árabe com Israel. Inteiramente de concreto e ainda maior e mais alto que o anterior, a enorme barreira tronou-se simbolo da submissão da politica externa egípcia às exigências de Washington. Após alguns gritos de solidariedade com a Palestina na frente da embaixada, o ato logo prosseguiu em direção à praça.

A marcha dos socialistas, que no seu ponto de saída contava com por volta de 2 mil pessoas e em seu ponto de chegada, mais de 10 mil, seguia a linha bem humorada que parecia dominar o dia. Uma das características mais marcantes da cultura egípcia é o agudo e muitas vezes profundamente irônico senso de humor da população. Os cantos políticos da esquerda não fugiam a esta regra.

Além de uma capacidade impressionante de rimar, as músicas quase sempre possuem engraçadas autocriticas. Mesmo assim parecia haver algo que de certa forma destoava do espirito carnavalesco. No nosso carnaval fazemos poucas alusões a expropriações de bancos, derrubadas de governos, e principalmente, resistência armada “as balas e ao fogo do exercito”. Com exceção do chamado às armas, tudo seguia em ordem na folia egípcia.

Já na Tahrir, ao me encontrar com diversos companheiros, me foi apresentado um leque de opções militantes para o resto do dia; uma caminhada organizada pelo sindicato dos advogados e juízes na porta do Ministério da Justiça revindicando um judiciário independente, um novo ato na porta da embaixada de Israel, ou uma manifestação, dirigida pelas torcidas organizadas de futebol, contra a policia do ancien regime na sede do Ministério do Interior.

Curioso para compreender a dinâmica das organizadas egípcias, fui, ao lado de um companheiro do movimento estudantil egípcio, uma alemã de origem árabe e uma cineasta palestina, marchar com os “ultras” no ato contra a polícia.

Os militantes das torcidas organizadas compõem talvez o setor mais combativo da juventude egípcia. São jovens, muitos com idade entre 16 e 18 anos e quase todos armados com uma energia revolucionária capaz de inspirar multidões. Em um ritmo não diferente de nossas torcidas organizadas, estes rapazes, que não falam inglês, não possuem blackberrys nem twitters, e que não se encaixam esteticamente nas exigências do New York Times nem da CNN, compõem a verdadeira vanguarda do processo revolucionário egípcio.

A ideia de uma revolução de jovens ocidentalizados de classe media se mobilizando pelo twitter para derrubar um governo, além de atraente, é politicamente agradável à cultura de massas. Esta, porém, não é a realidade da revolução egípcia. Este é um pais pobre onde o analfabetismo funcional é regra, e não exceção.

A massa da juventude egípcia não usa twitter e esta não é uma “revolução do Facebook”. Isto não é negar a importância das mídias digitais, pelo contrario, as redes do twitter foram essenciais para a revolução, tão essenciais quantos os e-mails, as mensagens de texto, o telefone celular, e sim, os carros de som, as faixas de rua, os panfletos e diversos outros instrumentos de luta existentes desde a revolução francesa.

Todos os Policias São Bastardos

O ato no Ministério do Interior, que se localiza a três quarteirões da Tahrir, batia de frente com a policia de Mubarak. Um pouco mais tenso, porém não menos bem humorado que o clima da praça, os manifestantes, que picharam toda a fachada do prédio, expressavam o ódio da juventude pela polícia egípcia. Sob a sigla de ACAB (All Cops are Bastards – todos policiais são bastardos) os torcedores do time de futebol egípcio Zamalek mantiveram o dia todo uma campanha de agitação e propaganda impressionante contra a violência policial.

Entre as exigências do grupo, além da óbvia crítica ao processo de transição do regime, estava a demanda para que se soltassem diversos integrantes da organizada que por participar de agitações politicas nos estádios, se encontravam presos e processados em tribunais militares.

A questão dos tribunais militares, ao lado da lentidão no processo de transição, foi o tema central do dia da “correção da caminhada”. Desde a queda de Mubarak até o inicio de setembro, quase 12.000 civis estão sendo julgados por tribunais militares no país. Praticamente sem direito de defesa em processos que duram muitas vezes um ou dois dias sem direito à apelação, o índice de condenação nos tribunais, segundo a organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch, está acima de 93%.

Entre as muitas acusações que constam contra os condenados está o de criticar a junta militar em blogs, participar de manifestações contra o regime e subversão contra a ordem politica. Estima-se que durante os meses posteriores a queda de Mubarak, foram colocados sob jurisdição militar uma quantidade maior de civis que durante toda ditadura do ex-presidente.

Os islamistas e a revolução

As atividades na Tahrir, convocadas sob a expectativa de juntar um milhão de pessoas, beirou a presença de 100 mil manifestantes. A razão por trás do esvaziamento do ato estava claro para todos.

A irmandade muçulmana, principal grupo politico em termos de estrutura organizacional do Egito, boicotou o ato da sexta. Movido principalmente pelo temor ao assenso do movimento operário egípcio, o regime militar tem se aproximado cada vez mais do grupo islâmico. O potencial novo bloco, teria por objetivo isolar os setores mais radicalizados da juventude e da classe trabalhadora.

Se a ausência da irmandade por um lado parcialmente esvaziou a praça, por outro lado ela radicalizou os setores presentes. Alem do constante grito de “onde está a irmandade?” ecoar por toda Tahrir, a defesa de um estado laico e democrático foi uma das pautas centrais do dia. Por razão da ausência dos islamistas, o público presente era essencialmente jovem e de esquerda. Isto talvez foi a principal razão pelo caráter festivo e colorido do dia.

Depois de novamente conferir a Tahrir, dirigi-me com o grupo de jovens egípcios recém-formados a embaixada de Israel. Deparei-me, novamente, com milhares de egípcios, que pela segunda vez em menos de três semanas, derrubavam o muro que os separava da representação diplomática.

Armados com martelos, barras de aço e qualquer tipo de material capaz de derrubar um muro de concreto, milhares de pessoas colocavam todas as suas energias para, mais uma vez, tentar expulsar do Cairo o embaixador de Israel. Fiel ao espirito do dia, os pedreiros de primeira viagem vibravam e celebravam a cada pedaço derrubado da construção.

A mera imagem de literalmente milhares de pessoas trazendo seus martelos de casa para derrubar uma parede no meio da cidade revela por si só a amplitude do grau de oposição a Israel no Egito. Mais plural do que a Praça Tahrir no quesito idade, a porta da embaixada novamente contava com a ausência dos militantes islamistas.

Após a queda da barreira, um grupo de jovens conseguiu escalar pelo exterior do prédio alguns de seus andares, entrar por uma janela aberta no terceiro andar, e rapidamente ocupar a embaixada. Ainda não está claro como o grupo conseguiu penetrar a segurança do prédio. Provavelmente, a ausência da FCS nas redondezas pegou o governo no contrapé.

Ao que tudo indica, o Exército não imaginava que a manifestação seria tão mais radicalizada que na semana retrasada, na qual os egípcios derrubaram o muro de proteção pela primeira vez, porém não tentaram ocupar o prédio. A ausência da mediação da Irmandade Muçulmana no ato pode ser a resposta chave para esta questão.

Uma vez dentro do prédio, os manifestantes novamente repetiram o gesto de arrancar a bandeira de Israel e colocar em seu lugar uma bandeira egípcia. Após a já esperada cena, algo inteiramente único começou a ocorrer. Assim como confete jogado sobre fulões no carnaval, inúmeros documentos da embaixada começaram a ser atirados pela janela para um publico jubilante.

Em uma especie de wikileaks popular, as massas começaram a fotografar tudo que descia da janela, que envolviam desde autorizações para entrar no edifício até documentos marcados com o título de “confidencial”. Com documentos sigilosos em suas mãos, mais uma vez os egípcios explodiam em alegria na porta da representação diplomática.

Revolução e contrarrevolução

Enquanto milhares celebravam a tomada da embaixada, as forças da elite mundial da política começavam a entrar em desespero. Temendo por sua vida, o embaixador, acompanhado por sua família, fugiu do Egito em um avião militar de Israel acompanhado por uma delegação de por volta de 70 pessoas ligadas à embaixada.

Enquanto seus diplomatas fugiam, o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apelava ao governo americano por ajuda a seu país. Washington, muito provavelmente temendo que a fúria dos egípcios pudesse eventualmente se voltar contra ela, respondeu prontamente aos pedidos de Tel Aviv.

Em um telefonema ao primeiro ministro egípcio, o presidente americano, além de expressar sua indignação frente a ação dos manifestantes, exigiu do governo de Caio que “honre suas obrigações internacionais e garanta a segurança da embaixada de Israel”.

A resposta rápida americana, que acompanhava de perto os acontecimentos na embaixada, revelam a identidade da principal força por trás do processo contra-revolucionário no Egito.

A ordem para proteger a embaixada, vindo do ponto mais alto da escala do poder mundial, foi cumprida a risca pelas FCS e a policia do Exército. Tanques, blindados, soldados do exercito armados com fuzis, milhares de homens da FCS e muita, muita bomba de gás lacrimogênio foram atirados contra os manifestantes que se encontravam na porta da embaixada.

Não que os outra hora alegres manifestantes do “dia da correção da caminhada” não estavam cientes de que seu carnaval terminaria em guerra. Todos esperavam que lá pela madrugada, alguns milhares de soldados da FCS desocupariam a Tahrir de seus foliões e retomariam a militarização da praça.

Muitos jovens, inclusive, ficaram até mais tarde no local esperando o confronto apenas para marcar posição frente a junta. A remilitarização da praça, porém, acabou não ocorrendo. Literalmente todos os policiais do Cairo se encontravam na frente da embaixada israelense cumprindo as ordens de Obama. Não por acaso, os jovens que antes se encontravam na Tahrir logo se deslocaram para a cena do confronto.

A única imagem possível de sintetizar as cenas que tomaram os quarteirões, e mais tarde, o bairro todo na qual a embaixada de Israel se encontra, é a imagem do Armagedom. Fogo, fumaça, sirenes, pedras voando de todos os lados, explosões, coquetéis molotov, ônibus e furgões da policia em chamas, tanques abandonados, rajadas de AK 47 para o ar e o barulho constante do choque de metais, compunham o todo do cenário.

Enquanto o exercito e a CFS se utilizavam de uma quantidade incalculável de bombas de gás contra os manifestantes, milhares de jovens, correndo com coquiteis molotov em suas mãos, atacavam os representantes da ordem. Eles não tinham mais de 18 anos, porém agiam com uma dedicação e coragem que superava qualquer parâmetro de maturidade.

Saleh, um companheiro recém-formado em engenharia da computação que me acompanhava na porta da embaixada, afirmava sem crer no que via: “é impossível, eles não são humanos”.

A quantidade de gás utilizada pela policia e o exercito, segundo Saleh, que participou de todas as batalhas na Praça Tahrir durante a queda de Mubarak, foi a maior da historia dos confrontos políticos no Egito.

Nem mesmo no dia 28 de janeiro, o dia mais violento da revolução, foi utilizado tanto gás. “Não sei, talvez seja um produto novo”, afirmava o engenheiro, “nunca vi nada igual”.

Enquanto tentávamos, ao lado de outros 3 companheiros, nos localizar no meio da guerra, mais de 50 ambulâncias, estacionadas próxima a embaixada, socorriam os feridos. O vai e vem das ambulâncias, os únicos veículos que se locomoviam livremente pelo bairro, somavam ao caos do momento.

Ninguém sabia, exatamente, o que acontecia. Visualmente, colunas de fumaça negra, vindo de diversas regiões próximas à embaixada, serviam como principal indicador da expansão e radicalização dos confrontos.

Durante a guerra que consumia as ruas, tentou-se incendiar a delegacia de polícia, a embaixada e a sede do governo local. Os prédios acabaram não sendo destruídos, mas inúmeras vans e caminhões da policia foram. A linha de frente dos embates, quase inatingível devido a quantidade de gás e fumaça no ar, tinha como seu chão um mar de pedras outra hora atiradas na policia.

Em meio aos confrontos, a quantidade de pessoas derrubadas ao chão devido ao gás superava as dezenas. Inúmeras motos que ficavam na linha de frente socorriam os caídos, rapidamente os levando para as ambulâncias que se encontravam nas redondezas. Enviadas pelo ministério da Saúde, foram poucos aqueles que não as utilizaram.

Enquanto milhares atiravam pedras contra a policia, os jovens das torcidas organizadas vieram em um embalo impressionante por de trás da multidão, atirando seus coquetéis molotov nas forças de segurança. Quando a policia se via cercada ou na necessidade de recuar, rajadas de fuzil eram disparadas para o alto. O próprio Exército, ao recuar de algumas posições em meio a violência, chegou até mesmo a deixar para trás seus blindados.

Em meio as cenas de caos, noticias ao vivo vindas do twitter informavam que a junta havia acabado de reinstaurar o estado de emergência da era Mubarak. No amanhecer do dia seguinte, a imprensa nacional e internacional anunciava o saldo final da batalha: quatro mortos e mais de mil feridos.

Seja nos regimes democráticos ou ditatoriais, a tradição das relações internacionais é que ela esteja sempre afastada dos anseios populares. Dentro deste contexto, é difícil encontrar um paralelo histórico para os eventos da “correção da caminhada”. Nem mesmo a tomada da embaixada americana por jovens iranianos, em 1979, é comparável ao que ocorreu no Cairo.

O povo egípcio, entrando em choque com os desejos e esforços do seu governo, conseguiu, sozinho, expulsar o embaixador de Israel. Mesmo que o governo Netanyahu tenha declarado que enviará de volta seu diplomata assim que as condições de segurança permitiram, um novo capítulo foi aberto na historia das relações internacionais do Egito.

Encabeçada pela junta militar e coordenada pelo presidente Obama, as forças da contrarrevolução hoje se escondem por detrás das leis de emergência de Mubarak. Frente a clara radicalização do processo revolucionário, a contrarrevolução também vem se endurecendo.

Após os eventos da sexta-feira, o ministério do interior anunciou que seus homens estão autorizados a utilizar armamento letal contra futuros atos dirigidos as instalações do ministério.

No domingo, o canal de televisão Al Jazeera foi fechado pelas forças do Exército. Mesmo frente a tais incidentes, o governo norte-americano em momento algum se manifestou em torno do tema.

A espontaneidade das massas é talvez um dos poucos elementos universais que perpassam a toda cultura humana. A necessidade de uma expressão estética, politica e cultural coletiva, dentro de um ambiente de liberdade máximo, é talvez um dos poucos elementos que integram aquilo que outra hora fora chamado de natureza humana.

Dentro desta busca pela expressão de um sentimento subjetivo comum, seja ela nos blocos da Lapa ou nas tendas da Tahrir, jamais devemos subestimar a criatividade destrutiva das massas. Dito isto, deixemos as coisas bem claras: a revolução não é um carnaval.

Aldo Cordeiro Saúda é formado em Relações Internacionais e faz pesquisa no Egito

Nenhum comentário:

Postar um comentário